Painel Internacional de Parlamentares para Liberdade Religiosa ou de Crença

Encontro Sem Precentes Sobre Liberdade Religiosa

Legisladores de várias partes do mundo se encontram em Nova York para falar sobre perseguição e a crise dos refugiados.

Por Emily Belz | World News Group

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Perseguição religiosa fomenta inédita reunião de Parlamentares

NOVA YORK– Enquanto centenas de milhares de refugiados vindo do Oriente Médio e da África pressionavam para entrar na Europa, parlamentares de todo mundo se dirigiam para Nova York para uma reunião sem precedentes para lidar com as crescentes ameaças à liberdade religiosa.

As reuniões internacionais sobre liberdade religiosa tipicamente atraem um número pequeno de devotos e seguidores; dessa vez, contudo, o interesse incomum da comunidade internacional, especialmente de legisladores europeus, teve como foco as ameaças do ISIS.

Na sexta-feira, legisladores internacionais lotaram uma sala no Hotel One UN situado em frente à Organização das Nações Unidas. Organizadores da Comissão para Liberdade Religiosa Internacional dos Estados Unidos (USCIRF) estimavam a presença de um grupo entre 30 a 40 parlamentares, mas eles lotaram cada assento com 130 participantes e tiveram que deixar de fora outros 30.

“Essa é uma ideia para qual o tempo está certo”, disse Aykam Erdemir, um catedrático turco e um membro do parlamento turco até recentemente.

Legisladores vieram da Tunísia, Reino Unido, Noruega, Dinamarca, Alemanha, Paquistão, Egito, Iraque, Senegal, Malásia, e Turquia, dentre muitos outros, como se uma Assembleia Geral das Nações Unidas estivesse sendo iniciada. Eles queriam informações sobre o que poderiam fazer acerca dessa questão – mídia dos governos locais, sociedade civil, e instituições como as Nações Unidas.

No sábado pela manhã, os parlamentares se reuniram para assinar a Resolução de Nova York, assumindo um compromisso, dentre outros, de “advogar a favor de indivíduos que sofrem perseguição.”

“Extremistas violentos são muito diretos e transnacionais em seus discursos de propagação do ódio”, disse Erdemir. “Pessoas envolvidas na defesa dos direitos e do pluralismo deveriam ser tão diretas, organizadas e transnacionais como os extremistas.”

A sala lotada abrigou reuniões bem memoráveis. Um Aiatolá iraniano, Seyed Mostafa Mohaghegh Damad, falou, assim como Naghmeh Abedini, uma americana cujo marido está preso no Iran por conta da fé cristã professada. Abedini disse que falou com o Aiatolá sobre a situação de seu marido. Assiya Nasir, a única cristã da Assembleia Nacional do Paquistão, também falou.

Os alemães, particularmente, foram destaque na reunião, uma vez que seu governo desempenhou o papel de líder ao receber centenas de milhares de refugiados do Oriente Médio. Uma fundação alemã, Konrad Adenauer Stiftung, proveu uma quantia significativa em dinheiro para trazer todos os parlamentares. Volker Kauder, um dos líderes do parlamento alemão, abriu a reunião falando sobre a situação da liberdade religiosa no Oriente Médio. Ele pediu a ONU para abordar essa questão na Assembleia Geral.

“A história da Europa mostra que todos nós fomos refugiados”, disse Peter van Dalen, um holandês membro do parlamento europeu, que também chamou a atenção do intergrupo de parlamentares sobre liberdade religiosa. Van Dalen mencionou que sua família fugiu da perseguição aos huguenotes na França e se estabeleceu nos Países Baixos.

Esse grupo, chamado de Painel Internacional de Parlamentares para Liberdade de Religião ou Crença (IPPFoRB), planeja realizar outra reunião em Berlim no próximo ano. Uma europeia gracejou ao dizer que o IPPFoRB mais se parece com um grupo criado pela União Europeia.

Legislador após legislador enalteceu a liderança da Alemanha sobre a liberdade religiosa.

“Eu aplaudo a coragem moral demonstrada pela Alemanha,” disse Abid Raja, um membro do parlamento norueguês. “Nós precisamos fazer mais. Nós precisamos neutralizar as razões que estão levando essas pessoas a deixarem seus países.” A Noruega não é um membro da União Europeia, mas concordou em dobrar o número de admissão de refugiados esse ano para 2.000 e aceitou acolher 3.000 refugiados a cada ano nos próximos dois anos.

O principal responsável sobre a questão de liberdade religiosa das Nações Unidas, Heiner Bielefeldt, é também alemão. Sua posição não remunerada demonstra os recursos que a questão da liberdade religiosa tipicamente recebe: ele tem apenas um funcionário em tempo integral. Vários oradores, na sexta-feira, pediram à ONU que lhe concedesse mais recursos.

À parte, defensores dos EUA também elogiaram a Alemanha.

“Como filha de sobreviventes do holocausto, sinto-me muito feliz ao ver a forma como a Alemanha está caminhando em tantas frentes,” disse Katrina Lantos Swett, uma defensora dos direitos humanos de longa data, e agora uma comissária no USCIRF. A Chanceler alemã, Angela Merkel, “definiu o tom”, disse ela.

Os Estados Unidos desempenharam um papel na organização da reunião e foi representado pelo Departamento de Estado, na pessoa do Embaixador Extraordinário para Liberdade Religiosa Internacional, David Saperstein, e pelo Presidente da USCIRF, Robert George. Seus colegas da Agência Canadense de Liberdade Religiosa também compareceram ao evento.

Em um discurso enérgico, Saperstein insistiu para que os legisladores internacionais não separassem a liberdade religiosa de outras questões, mas que a vissem como fundamento em cada tipo de política. Ele os encorajou a realizar audiências, a emitir declarações, e a comparecer aos julgamentos em favor dos perseguidos. Ele mencionou que ele e outras autoridades compareceram recentemente ao julgamento dos dois pastores sul sudaneses, em que os pastores foram absolvidos das acusações mais graves e libertados.

“Mesmo um país tão poderoso como os Estados Unidos não pode lutar essa batalha sozinho,” George disse durante um coffee break. George disse que os líderes europeus, especialmente a Alemanha, “mostraram-se muito sérios acerca da liberdade religiosa.” Agora, ele disse, é uma questão de ver se o grupo pode manter essa ampla base de apoio para a liberdade religiosa, uma coalizão que desapareceu no mercado interno.

Djermana Seta, presidente da Comissão para Liberdade de Religião na Comunidade Islâmica da Bósnia e Herzegovina, falou sobre conceitos mais amplos no evento, mas, em seguida, revelou que foi uma refugiada na Europa em sua adolescência. Lembrou que quando chegava à fronteira da Eslovênia e Itália, viu um cartaz que dizia, “Einstein era um refugiado, também”

“Aquilo me deu esperança”, ela disse. Ela já retornou para Sarajevo para trabalhar com a liberdade religiosa.